Para quais conexões educamos?
- Escola Parlenda
- há 7 horas
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Por Silvia Pandini

Contemporaneamente todos nós, adultos, pais, mães, professores, pedagogos, psicólogos temos nos perguntado sobre os usos que as crianças fazem das tecnologias digitais e, especialmente, do tempo que despendem diante das telas. E, inevitavelmente, nos questionamos também sobre o uso extensivo que nós adultos fazemos de tablets e smartphones e quanto isso incita o uso das telas pelas crianças. Enquanto estamos todos ocupados e distraídos, seguimos sofrendo os impactos desse uso sobre nós e nossas crianças.

Pesquisadores de diferentes áreas nos alertam para os efeitos do uso excessivo de telas na primeira infância. A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças de até 4 anos tenham no máximo 1 hora diária de exposição a telas, ressaltando impactos no desenvolvimento da linguagem, da atenção e da autorregulação.
No Brasil, pesquisadores das universidades e publicações de instituições como a Fiocruz associam maior tempo de exposição a telas nos primeiros anos de vida a pior desempenho no desenvolvimento da linguagem e da cognição, diminuição da saúde física, além de dificuldades relacionadas à atenção e à qualidade das interações sociais. A exposição às telas também reduz o brincar simbólico, elemento central para o desenvolvimento infantil.

Diante desse cenário, é fundamental que as escolas invistam na construção de didáticas inovadoras que incluam os usos das tecnologias digitais como ferramentas de pesquisa e aprendizagem. Isso implica em deslocar as crianças de um uso passivo diante das telas, quando são meras receptoras/consumidoras de conteúdos, para alçá-las à posição de uso ativo de uma infinidade de artefatos, como os microscópios e câmeras digitais ou dispositivos que requerem programação computacional ao serem usados. Quando bem utilizadas, as tecnologias digitais convocam a criatividade e mobilizam aprendizagens da linguagem e do pensamento computacional, fomentando aprendizagens matemáticas e as ações de previsão, planejamento e estratégia.

A Abordagem Reggio Emilia acolhe o uso das tecnologias digitais e concede a elas espaço na elaboração de contextos de aprendizagens que mobilizam a ação e a pesquisa por parte das crianças.Loris Malaguzzi nos deixou a potente metáfora das 100 linguagens das crianças. Ela nos ajuda a compreender que a linguagem digital é mais uma possibilidade de as crianças acionarem saberes, formularem teorias provisórias e traduzirem seus pensamentos.
Na Educação Infantil, as aprendizagens acontecem quando produzimos conexões entre os sentidos. O corpo em movimento é a ferramenta essencial para a criança ler o espaço, as formas, as matérias e as relações. É na escola também que se criam conexões entre pares, entre adultos e crianças, entre as crianças e as inúmeras formas de aprender, entre as crianças e o lado de fora, entre as crianças e a vida. Produzir encantamento e cultivar o interesse genuíno das crianças pelas coisas gera as melhores conexões que podemos almejar.







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