Mão de criança e tronco de árvore

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Processo de familiarização na educação infantil

Atualizado: 2 de mai.

A chegada na escola é marcada por muitas estreias compartilhadas entre crianças, famílias e professoras, estas, responsáveis por acolher os pequenos em suas subjetividades e ao mesmo tempo, apresentar-lhes novas possibilidades de habitar um universo coletivo. Nesta dança entre individualidade e coletividade, emergem relações que priorizam a escuta, o acolhimento e o respeito. Para nós, familiarizar-se pode significar deixar suas marcas no mundo ao mesmo tempo em que se é marcado e transformado por ele.


É por isso que na Parlenda escolhemos chamar este período de processo de familiarização, afinal, compreendemos que sentir-se pertencente ao espaço, construir novos vínculos e aprender a ser e conviver no coletivo, é um processo altamente desafiador e que demanda tempo, acolhimento e relações delineadas por muitos afetos entre crianças e adultos.


Neste período de familiarização com o novo ambiente a criança vivencia diferentes situações que despertam inúmeros sentimentos desenvolvidos na relação com os adultos mais próximos e aqueles com quem inicia os primeiros contatos nesse novo contexto. Assim, é comum que ela expresse seu estado emocional em função dos modos como esse processo acontece. Tendo em vista a vinculação que a criança tem com seus familiares, sobretudo, sua mãe, precisamos olhar com atenção para os indicadores que ela nos apresenta sobre seus limites e disponibilidade para abrir-se às novas relações.


Consideramos que desde a gestação e ao longo dos primeiros anos da vida da criança, sua condição emocional está intimamente ligada ao estado emocional da mãe, para a qual o significado da separação pode representar rompimento, ou perda ao “dividir” seu filho com terceiros. Por isso, acreditamos que o nível de segurança afetiva da criança está relacionado ao nível de segurança afetiva da mãe, o que influenciará de maneira marcante a atitude da criança nesse novo ambiente e como consequência o desenvolvimento de sua autonomia. Por isso, acolher as famílias é tão importante quanto acolher as próprias crianças.


Partimos da premissa de que a entrada da criança na escola é o início de uma parceria, para a qual buscamos tornar claras nossas ações em prol do bem estar da criança, informando nossas iniciativas e orientando os familiares sobre como podem contribuir para facilitar esse processo, a fim de construirmos uma relação de confiança mútua. Nesse sentido, o primordial no período de familiarização é que a criança fique bem na escola, ou seja, segura emocionalmente mesmo separada de sua família. Para isto, sabemos que aquilo que combinamos entre os adultos, como os horários de chegada e de saída, a assertividade dos pais ao entregarem a criança e seus pertences aos adultos responsáveis, bem como, a clareza da despedida e a regularidade do momento de buscar a criança na escola, são aspectos que favorecem a disponibilidade dela de permanecer nesse ambiente.


A demonstração do afeto dos adultos pela criança, por meio da responsabilidade e preocupação com seu estado emocional e sobre as condições que lhe são oferecidas para seu desenvolvimento, como também a confiança no seu potencial, são fatores essenciais para a construção de sua autonomia. Com isso, a criança se sente mais segura por perceber que todos se importam com ela e estão em sintonia para atender às suas necessidades, o que torna possível permanecer afastada dos seus familiares.


É importante salientar que o processo de familiarização varia de criança para criança, pois cada ser é único, tanto em termos de personalidade, como acerca dos modos apreendidos em sua relação familiar. Por isso, as condições oferecidas para que a criança se sinta plenamente segura devem ser avaliadas individualmente. Nesse período, o choro é uma forma de comunicação eficaz, pela qual a criança aciona o adulto que se mobiliza em torno dela para atender suas demandas. Essa constitui uma oportunidade para passarmos a mensagem para a criança de que estamos atentos a ela, ao mesmo tempo em que procuramos identificar e observar em seu comportamento indícios do que passa com ela – sentimentos e necessidades. Dúvidas, sentimentos de culpa e outras emoções podem desestabilizar a família por algum tempo, por isso, é tão importante o estabelecimento da nossa parceria em prol do bem estar da criança.


Nossas professoras e equipe pedagógica estão sempre prontas para acolher as crianças em um tempo pensado para lhes dar oportunidade de perceber o ambiente, conhecer os adultos de seu grupo e enfrentar com sucesso as situações decorrentes desse processo de familiarização, com vistas a também auxiliar as crianças e as famílias na superação do sentimento de separação para favorecer a ampliação de suas relações no contexto educativo.


As famílias podem atentar-se a alguns pontos importantes que contribuirão para que o processo de familiarização das crianças aconteça de maneira mais fluida e saudável:


  • A decisão de ter colocado a criança na escola deve ser consciente e segura, pois a dúvida dos familiares gera insegurança na criança.

  • A confiança na proposta da escola e nas professoras trará segurança aos pais durante a familiarização e este sentimento contribui para que a criança se sinta segura e feliz.

  • O choro na hora da separação é comum e nem sempre quer dizer que a criança não queira ficar na escola. Ao contrário, é o impasse para decidir entre duas coisas que neste momento se opõem.

  • A ausência do choro pode ocorrer nos primeiros dias, pois a criança está tão deslumbrada com as novidades que não percebe a separação e o choro pode ficar adiado, ocorrendo nos próximos dias.

  • A criança que já tem autonomia de movimentação poderá chegar à escola caminhando. Não espere que a professora tire a criança do colo, pois ela não deve se sentir alvo de disputa.


Abrevie as despedidas longas, com isso estará diminuindo a angústia da separação.

  • Incentive seu filho ou sua filha a procurar a professora quando necessitar de algo, para que a reconheça como o adulto com quem irá se relacionar mais proximamente na escola, favorecendo a criação de laços afetivos com ela.


Equipe Pedagógica – Escola Parlenda

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